18 de junho de 2012
Triste fim e o meio.
Ora, a força está em levantar sempre que for agredido, estiver contundido ou tiver sido ofendido, mesmo que a mão que bate seja de um não arrependido. Hora! Ela que passa, repassa e devasta, especialmente aqueles que teimam em esperar.
Acabo de ser surpreendido por alguém que foi por mim agredido. E, se você está espantado pela repetição da palavra, saiba que repetição foi o que aconteceu agora. Tempo após tempo, vento após vento, uma sucessão bem-sucedida de ofensas, ataques, dos passivos e dos outros, bastante ativos, mas todos tendo como resultado o pensamento. O "e se?". Mesmo tanto eu quanto ela sabendo que o simples fato de haver a dúvida nos coloca em dívida. Eu comigo, ela consigo. Mas nunca nós conosco.
7 de julho de 2011
Quem tem que vir que venha
Quantos de vocês podem dizer que já passaram por uma experiência sobrenatural? E não vale dizer “eu nunca passei, mas minha filha já passou por uma e disse que foi muito bom”. Estou me referindo àqueles que estiveram ali, no olho do furacão. Sendo que o furacão estava cheio de ectoplasma.
Eu não me considero alguém muito sobrenatural, não. Nietzsche, inclusive, não ficaria muito satisfeito comigo. Não acredito também que já tenha vivenciado qualquer coisa fora do normal. Neste sentido inexplicável, entendam bem. Já tive uma boa dose de situações bizarras na minha vida e duvido que elas tenham acabado.
Tive, sim, alguns sonhos que algumas pessoas mais iluminadas poderiam tratar como um evento, mas em Psicologia estudei que eles são formas do inconsciente buscar uma resolução satisfatória para algo que queremos muito. E isso me basta.
Ontem estava voltando para casa e uma mulher falou qualquer coisa comigo. Tirei os fones de ouvido (sou antissocial) e pedi que ela repetisse. “Você tem carro?”, ela perguntou. “Sim, mas eu gosto desse contato com o público que só um ônibus lotado possibilita”, pensei em responder.
- Não.
- Ah, é que eu tava aqui olhando pra você e Deus me disse que te deu um livramento de um acidente.
- ...ah. Foi?
- Isso. De vez em quando acontece de ver uma pessoa e receber uma mensagem. Ele tá sempre falando comigo e agora ficou me incomodando até que eu falasse isso pra você.
- Do livramento do acidente?
- Isso. Eu vi você envolvido num acidente de carro. Alguma pessoa bebeu demais e se envolveu em um acidente.
-E isso é pra hoje?
- Oi, meu filho?
- Esse aviso, essa coisa. Isso aconteceria hoje se eu estivesse dentro de um carro ou devo me cuidar nos próximos dias?
- Não, agora mesmo. Uma pessoa bebeu demais e se acidentou. Eu vi que você tava distraído aí e não ia falar nada, mas Deus ficou me incomodando aqui pra eu falar.
- É, ouvi dizer que ele faz isso às vezes.
Chegou o ponto da mulher, ela e despediu e desceu. E eu fiquei lá, com uma cara que deveria ser um misto de “uau” e “olha só quanta coisa que perco por ficar ouvindo música”. Bom, não foi a primeira vez que uma mulher me parou na rua dizendo que alguma divindade tinha algum plano pra mim. O mais frequente é mesmo o deus católico. Aparentemente ele presta muita atenção em mim. Preciso avisar meu primo pra parar de me mandar aqueles e-mails.
É isso. Fica aqui o aviso. Se eu me envolver em algum acidente nos próximos dias, os filmes da série Premonição estavam todos certos.
Agora eu vou ali, mas vou de metrô, que é mais seguro.
.: Adriano :. o sóbrio
28 de junho de 2011
O frio e os calculistas
Todos os dias eu olho a previsão (meteorológica, no caso) antes de sair. Como trabalho longe de casa, preciso saber exatamente o que vou enfrentar. Muitas e muitas vezes já escapei de chegar (todo) molhado por sair com um guarda-chuva. Assim como já me salvei por trazer uma blusa a mais. Mas, nos últimos dias, tenho me sentido vítima de ataques terroristas. Abro o climatempo e pá! mínima de 2 graus. Olho de novo e pá! um símbolo de geada. Geada!
Agora, mais grave do que as horas que a gente passa na rua é a hora de dormir. Porque existe aquele mito que o frio aproxima as pessoas, mas pouca gente percebe o quanto essa ideia é uma faca de dois gumes. Explico-lhes: é na hora de dormir que os pijamas saem das gavetas. E existem dois tipos de pijamas. Os de dormir junto e os de dias de frio. Ora, os pijamas de dormir junto não são tão inocentes assim e não foram feitos exatamente para dormir. São as camisolas, os conjuntos camiseta-de-alça-e-calcinha e as roupas curtas. Para elas, ok? Sou antigo. Camisetas velhas e grandes também são muito bem-vindas aqui. Por sua vez, homens usam calças e barrigas engomadas.
Esses são os uniformes para os dias (aliás, noites) de calor. Porque é no frio que a natureza humana vem à tona. A autopreservação fala mais alto e as pessoas aparecem vestidas com aquele moletom de estimação com a meia azul por cima da calça, pra esquentar mais. Isso quando não são várias camadas de blusas. E gorros. Pois é. Gorros. As orelhas também passam frio. E muito.
Costumo dizer que é no frio que sabemos se poderemos mesmo ficar com aquela pessoa. Dormir junto no calor é difícil pra todo mundo, e isso é esperado. Mas os pijamas de frio são realmente imprevisíveis. Claro, as pessoas não mostram as coisas mais terríveis logo de cara. Existe toda uma necessidade de aceitação e essas roupas mais ousadas (lê-se “bizarras”) vão sendo mostradas aos poucos, como uma dança dos sete véus ao contrário. Mas com o mesmo objetivo.
14 de junho de 2011
O brado retumbante
28 de junho de 2010
O fim das discussões
Não vou discordar. A Internet trouxe muitas coisas boas. E como trouxe. Mas, ao mesmo tempo em que ela aproxima as pessoas dos mais distantes pontos do mundo, também distancia quem está perto. Parece um clichê, parece que eu li isso numa caixa de cereal, mas não. Faz anos que não como Sucrilhos. Aliás, bateu uma puta saudade de Froot Loops agora. Sei lá, devo ter crescido. Ou isso ou a culpa é da Kellogg’s, que ainda não inventou o web-cereal.
Ninguém mais se olha nos olhos. Ninguém consegue conversar sem ser através de uma câmera, um site, uma rede social. O facebook (ou seja qual for o nome da rede social do momento quando você ler isso) é a camisinha 2.0. Eu posso saber quem são seus melhores amigos, seus filmes favoritos e até a cor da sua calcinha de renda, mas não encosto em você. Sem risco de contato. Sem risco de contágio. Sem risco.
Não existem mais discussões “dedo na cara”. Se você não gosta de mim, existe um botão a postos para me bloquear. Me cancelar, me anular, me excluir. E as relações são deletadas a partir do momento em que minha foto não aparece mais no seu mural de amigos. Se você não me vê, eu não estou mais lá. Simples como apertar um botão. Opa, e é mesmo. Cada um pro seu lado e “eu te conheço mesmo?” Não, né? Você não pode ver minhas fotos. Ah, tá.
Nem tudo é ruim. Acabaram-se os barracos. Um palavrão em Caps Lock é bem menos humilhante que ter sua ex-esposa jogando suas roupas no meio da rua enquanto grita pros vizinhos que você sempre foi um filho da puta. Mas mesmo assim. O que é a vida sem emoção?
Bundamos. É isso: bundamolecemos. Se houvesse um golpe hoje, se o Exército resolvesse tomar o poder e dependêssemos das pessoas, meu amigo, era melhor que nem gastassem munição. Deixem pra quando atacarem outro país, algo que represente um desafio de verdade. Porque xingar muito no twitter não é à prova de balas.
9 de abril de 2010
Bring the heat
O Holiday Inn é uma rede de hotéis com filiais ao redor de todo o mundo, mas aparentemente os ingleses são ainda mais frescos do que se imaginava. "Frescos" sendo a palavra de ordem aqui. Funcionários do hotel em Londres se vestem com uma roupa que parece um híbrido de maníaco da Ku Klux Klan com Ursinhos Carinhosos e vai até seu quarto, deita na sua cama e fica lá, até que ela esteja quentinha e você possa deitar sem se preocupar com lençóis frios. Eu não tenho certeza, mas aposto que são essas as palavras que os hóspedes leem no informativo sobre o serviço.
Li em algum lugar (achei que tivesse sido na G1) que alguns brasileiros estavam entre os responsáveis por essa bizarrice. Acho que o gerente do hotel é tupiniquim e foi ele quem veio com essa ideia. Fica a informação a título de curiosidade.
Pois bem. Podem me chamar de antiquado, mas jamais convidaria um sujeito pra subir até meu quarto e ficar se esfregando na minha cama. Não sei explicar, é quase anti-higiênico. Sim, eu sei que ele fica vestido dos pés à cabeça. Mesmo assim.
Mas, verdade seja dita, com o frio que anda fazendo, é cruel deitar na cama gelada. Mesmo com quatro cobertores, como tem sido aqui. Cruel.
7 de fevereiro de 2010
You speak my language
Desde o começo também buscamos formas de melhorar a comunicação para tornar a vida mais agradável. Quando se convencionou que "uga" significava "meu precioso" e "buga" era alguma coisa equivalente a "já dançou com o demônio sob o pálido luar?", demos os primeiros passos para um melhor entendimento entre as pessoas. Hoje, somos inúmeros povos com um sem-número de idiomas que vivem se mesclando. Um dos efeitos da globalização é a aproximação de termos e absorção de palavras de outros idiomas, para expressar com mais eficiência sensações e situações que não estavam bem representadas. É por isso que hoje deletamos, as mulheres (e alguns homens) usam lingerie, comemos hambúrgueres e tantas outras coisas que não faziam parte do nosso dia-a-dia. As línguas são formadas a partir de outra e nunca param realmente de se formar.
...mas nada nem ninguém coloca na minha cabeça que "realizar" é sinônimo de "perceber". Não em português. Não.
Simplesmente não.