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16 de maio de 2009

More human than human

A Virada Cultural - um post atrasado porém necessário.
Acabo de ver aqui na Internet que neste final de semana haverá uma outra Virada Cultural, meio "lado B", em São Bernardo do Campo. As atrações, embora incluam o Lenine, não conseguem ofuscar o brilho do que foi a Virada Cultural de SP, a que eu fui. Foi minha primeira Virada, aliás. E tem gente me cobrando pra escrever sobre ela. Como faz muito tempo que ninguém me cobra pra escrever sobre nada, permito-me este momento de orgulho. E também porque fiquei entusiasmado com a ideia (agora sem acento) sobre isso.

Foi a primeira vez que saí de casa pra comparecer à Virada Cultural, o que é uma vergonha considerando que moro desde sempre ao lado de São Paulo e que tem gente que vem de outros Estados só pra esse evento. Pelo que andei lendo, as atrações de sempre estavam lá.
• Policiamento mínimo ou nulo: em algumas ruas por que passei, a segurança era feita por um cara que aparecia armado, do nada. E não, ele não era policial. Era alguém como eu ou você. que, ah, sim, tinha uma arma.
• Ressaca moral: várias pessoas dormindo pelo chão do Teatro Olido e nos canteiros da Praça da República, entre mendigos e frequentadores. Não me cabe julgar quem não tem onde morar. Mas não era o caso de todo mundo ali, não.
• Banheiros químicos: o mesmo terror desde o Rock in Rio III.

Fui com os nobres amigos
Daniel e Marcelo, com a corajosa missão de ver filmes de zumbi num cinema pornô do centrão. Juntaram-se a nós a Ananda e O Outro, que pretendiam participar de uns programas mais sérios. Felizmente conseguimos dissuadí-los dessa ideia furada e fomos pro infame Cine D. José. Logo na fila, sou abordado por duas garotas que queriam saber o que aconteceria lá. Fiz questão de frisar que os filmes exibidos não seriam os da programação normal do cinema, mas uma saudável mostra com filmes de zumbis.

- Mas zumbis....dos Palmares?

E a noite só tinha começado!

Se você ainda não teve o prazer de participar de uma plateia (também sem acento) que realmente se identifica com os personagens do filme e, mais do que isso, torce de corpo e alma por cada um deles, eu digo que é uma experiência incomparável. E que você está perdendo. Claro, é irritante quando as pessoas não param de falar durante a sessão e isso é imperdoável mesmo. Menos lá. Menos naquele dia. Menos durante Dellamorte Dellamore.

Todos éramos um só. A cada cena do filme, a cada morte, a cada acontecimento absurdo (foram muitos!), os espectadores irrompiam em aplausos e gritos. Acho que não tem cena melhor pra explicar isso do que a que mostrava o coveiro Francesco Dellamorte tirando a roupa da viúva em cima do túmulo do marido dela, o finado Augusto. Aos primeiros sinais de que o morto se levantaria, a plateia vibrava. Quando ele finalmente levanta e, enfurecido, avança em direção à esposa infiel, o cinema veio abaixo. A uma só voz,com emoção autêntica, a plateia bradava:

- Augusto! Augusto! Augusto!

Foi incrível! E só não posso dizer que foi inigualável porque, logo a seguir, o cinema exibiu Planet Terror do Robert Rodriguez, com direito ao trailer falso de Machete antes do filme. Preciso falar mais alguma coisa?



Conclusão? A melhor atração de todo o evento foi o conjunto da Mostra de Zumbis com a participação de todos os espectadores. Sem dúvida, minha melhor sessão de cinema de todos os tempos.

Se você ainda não ouviu "Paciência", do Lenine, vá até o canto da sala e bata nas suas costas com uma vara de marmelo. Depois de se punir muito, ouça a música. Altos vale a pena.